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Sêneca

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Poupança capta maior valor em cinco anos

A captação líquida da poupança, que é a diferença entre depósitos e saques feitos pelos poupadores, atingiram o montante de R$ 1,977 bilhão em abril, de acordo com balanço divulgado ontem BC (Banco Central). Este é o segundo maior resultado para os meses de abril, desde 2007, quando a captação atingiu R$ 2,046 bilhões.

Para o professor de Análise de Investimento da FIA (Fundação Instituto de Administração) Bolívar Godinho, as mudanças nas regras da caderneta anunciadas pelo governo, no dia 3, não devem alterar o resultado positivo da aplicação nos próximos meses, já que a alteração preservará o dinheiro depositado, o que, de certa forma, conforta o brasileiro. "Além disso não dava para manter um investimento com ganho de 6,17% ao ano sem Imposto de Renda, a situação cria barreira (de avanço) para outras aplicações", comentou Bolívar.

Pesquisas apontam que a poupança continua na frente dos fundos quando o assunto é rentabilidade. Levantamento divulgado ontem pelo diretor executivo de estudos econômicos da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro, mostra que se a poupança atingir o patamar de 8,5% ao ano, o seu ganho mensal mudará pouco: cairá de 0,54% para 0,52%. Dentre 24 possibilidades mencionadas por Ribeiro, os fundos de renda fixa ficam à frente da poupança somente em duas situações: se a taxa de administração for de 0,5% ao ano e o dinheiro for sacado após um e dois anos da aplicação, quando a alíquota de imposto é menor.

Por outro lado, o professor Godinho aconselha o investidor a pensar na diversificação do portfólio de investimento. "A tendência agora é que as aplicações conservadoras rendam pouco. Quem quiser ter ganho maior terá de procurar alternativas que tenham mais riscos, como os fundos multimercados (que mesclam, por exemplo, ações e papéis de dívidas de empresas)", explicou.

O presidente do instituto Fractal e professor da FIA (Fundação Instituto de Administração), Celso Grisi, disse que nos próximos 20 dias é provável que mais bancos reduzam a taxa de administração das suas aplicações, como já fez a Caixa Econômica Federal. No entanto, se a indústria de fundos perder participação no mercado é provável que o governo faça novas modificações. De acordo com Grisi, a redução da alíquota de IR (que hoje varia entre 15% e 22,5%) é uma hipótese. "Caso contrário, a dificuldade de rolar a dívida pública será muito maior", comentou Grisi. Isso porque os títulos da dívida pública brasileira são ativos que compõem a carteira dos fundos.

MUDANÇA - Desde o dia 4 todo o dinheiro depositado na caderneta será remunerado com base em 70% da Selic somada à TR, mas a mudança só acontecerá se os juros atingirem patamar igual ou menor a 8,5% ao ano. Hoje a Selic está fixada em 9% ao ano.

Bancos começam a avisar clientes sobre novo rendimento

Os bancos já estão informando seus clientes, por meio de suas páginas na internet, sobre as mudanças nas regras da caderneta de poupança, que começaram a valer para os depósitos efetuados a partir do dia 4.

Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Banco do Brasil dispinibilizam a informação na primeira página de acesso do internauta ao banco. A Caixa, por exemplo, montou espaço onde há perguntas e respostas, já formuladas para quem tem dúvidas sobre as mudanças.
DICAS - O site www.meubolsoemdia.com.br da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) também traz informações sobre os motivos das alterações na rentabilidade e dicas que mostram o que o pequeno poupador poderá fazer de hoje em diante.

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