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Sêneca

sábado, 19 de julho de 2014

A guerrilha interna que ameaça a campanha de Dilma

Daniel Pereira
Dilma Rousseff: preocupação com a disputa entre petistas pelo poder
Dilma Rousseff: preocupação com a disputa entre petistas pelo poder (André Duzek/Estadão Conteúdo)
 
Dilma Rousseff lidera as pesquisas de intenção de voto, conta com o apoio do cabo eleitoral mais popular do país, terá o dobro do tempo de seus principais rivais na propaganda eleitoral e usufruirá, até o dia da votação, vantagens competitivas que só a caneta presidencial proporciona — do anúncio de ações oficiais ao protagonismo em reuniões entre chefes de Estado, como as realizadas na semana passada em Brasília e Fortaleza. Em situações normais, tais credenciais favoreceriam a harmonia entre os coordenadores da campanha. Essa é a regra. Mas a regra, como se sabe, nem sempre vale para o PT. Depois da guerra interna em torno do movimento “Volta, Lula”, aliados do ex-presidente e assessores de Dilma disputam agora o comando da chapa à reeleição. Cada tropa quer definir os rumos da campanha e, em caso de vitória nas urnas, controlar as verbas e os cargos mais importantes da futura administração. Em meio ao tiroteio, uma pesquisa mostrou o senador Aécio Neves (PSDB), pela primeira vez, em situação de empate técnico com Dilma num eventual segundo turno. É o prenúncio de mais fogo cruzado pela frente.

“Corremos o risco de perder para os nossos próprios egos”, diz um dos auxiliares da presidente. O comando eleitoral de Dilma conta com sete pessoas. É tal o grau de disputa entre elas que houve uma tentativa de parte desse grupo de expulsar o ex-ministro Franklin Martins da campanha. Responsáveis pela relação com a imprensa e pela atuação na internet, Martins e seus subordinados publicaram críticas pesadas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao presidente da entidade, logo depois da eliminação do Brasil na Copa, num site de apoio a Dilma. A iniciativa foi considerada agressiva demais e incompatível com a postura esperada de um presidente da República por outros coordenadores da campanha. Eles exigiram da equipe de Martins que retirasse o texto do ar. Como o ex-ministro resistiu, Dilma foi acionada e determinou a realização de uma reunião para pacificar os ânimos de seus generais. O encontro ocorreu na segunda-feira, mas a paz selada foi apenas aparente. A tensão continua no ar, assim como — por incrível que pareça — a mensagem veiculada na internet que provocou toda a confusão. “O Franklin Martins se acha maior do que todo mundo”, reclama um dos coordenadores de Dilma. 

Revista VEJA

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